quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Farmácias querem cobrar por aconselhamento


Redução do preço de venda ao público dos medicamentos leva farmacêuticos a pedirem novo método para financiar actividade.

"A cobrança por acto farmacêutico é urgente. As sucessivas baixas de preços deixaram várias farmácias em situação muito crítica", explica João Silveira, vice-presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), ao jornal "i".

"Qual é a viabilidade da farmácia no futuro se os medicamentos novos, e mais caros, ficarem nos hospitais, e os mais consumidos continuarem a baixar de preço?", questiona.

As farmácias querem avançar a curto prazo com a cobrança dos serviços que prestam - aconselhamento, testes de despiste e todos os outros actos farmacêuticos praticados ao balcão. A ideia não é nova, mas a sucessiva baixa de preços imposta aos medicamentos dá novo fôlego à vontade de mudar o cálculo do lucro.

Até agora o lucro depende directamente do custo de cada embalagem vendida (hoje é de 20%). Em vez disso, as farmácias pretendem ser pagas segundo uma tabela de serviços prestados, independente do valor do remédio dispensado ao doente. Ganhariam o mesmo se vendessem um remédio de 20 euros ou um de dois euros, mas passariam a cobrar por outros serviços que agora são gratuitos.

Um estudo apresentado o ano passado pelo investigador da Universidade Católica Miguel Gouveia calculava que as farmácias portuguesas praticam anualmente 38,8 milhões de actos farmacêuticos não pagos. A maioria são aconselhamento terapêutico e avaliação. Para as farmácias, este trabalho representaria o equivalente a 20% dos resultados brutos destes estabelecimentos, no valor de 54 milhões de euros.



Fonte: Econômico