sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Farmácias podem ter 4 grandes fusões ainda neste ano


As redes de farmácias e drogarias podem ter pelo menos quatro novas operações de fusão ou aquisição até o fim deste ano, disse Flavio Meyer, sócio do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.

No momento, Meyer atua em duas operações, envolvendo dois compradores diferentes. Um deles está interessado em uma rede de 6 lojas e o outro numa com 12 lojas.

Meyer não identificou quais são essas redes, quais os compradores ou o valor envolvido nas negociações. Disse apenas que uma das redes visadas fica em São Paulo e a outra fora da capital.

Outros sócios de seu escritório tocam mais duas operações semelhantes, disse Flavio Meyer.

"As compras estão sendo motivadas pelo crescimento do País e pelo aumento do poder aquisitivo das camadas mais populares, que começam a consumir produtos de saúde e higiene aos quais antes não tinham acesso", afirmou ontem (12) o advogado, em entrevista por telefone de São Paulo.

O segmento de drogarias está em ebulição, alimentado pelo surgimento desse novo público consumidor e pela expansão da economia brasileira, estimada em 7,12% por economistas do mercado, segundo pesquisa Focus do Banco Central, divulgada no dia 9 de agosto.

No dia 4 de agosto, o bilionário carioca André Esteves, da BTG Investments, confirmou que está em busca de aquisições de farmárcias e atribuiu o atual crescimento da economia brasileira à demanda interna.

"Nós estamos promovendo uma consolidação do setor farmacêutico", disse Esteves na ocasião, durante evento em Santiago, no Chile.

O Banco BTG Pactual anunciou a entrada no capital da rede de farmácias Rosário Distrital, do Distrito Federal, no fim de julho, depois de ter comprado 32 pontos da Farmácia dos Pobres, em Pernambuco, no começo daquele mês.

Informalidade do setor

Em setembro do ano passado, o BTG entrou no setor ao comprar a rede Farmais, com mais de 430 franquias nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, segundo o site da rede.

No fim de junho, a Drogaria São Paulo anunciou a compra da Organização Farmacêutica Drogão. O escritório Machado Meyer atuou pelo BTG, na compra da Farmais, e pela Drogão, na sua venda.

Segundo Flavio Meyer, a maior dificuldade para essas operações saírem é a "informalidade do setor, que acaba criando passivos trabalhista e fiscal elevados".

Já o que favorece a consolidação é o fato de ser um mercado "muito fragmentado", com muitas empresas com "menos de cinco lojas", acrescentou.

Segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, o setor reúne 62.354 lojas no país, sendo 90% delas, ou mais de 56 mil, independentes, e 5.415, ou 9%, organizadas em redes, considerando dados de março de 2010.

O segmento movimenta R$ 30 bilhões em vendas ao ano, sendo 50,5% nas redes e 49,5% nas farmácias independentes, segundo a associação.

Além do setor de farmácias, Flavio Meyer diz que ainda podem acontecer, até o fim do ano, aquisições nos setores de varejo, saúde, informática, autopeças, agronegócio, energia alternativa, análise ambiental e descarte de material perigoso, principalmente com investimento de fundos de private equity, considerando as operações que o escritório está assessorando no momento.

fonte: Brasil economico