terça-feira, 29 de março de 2011

Pfizer vai perder U$ 29 milhões com fim de patentes até 2013


A Pfizer lidera o ranking das farmacêuticas mais afetadas com o fim das patentes de medicamentos. A previsão é de cerca de 29,2 milhões de dólares até 2013. Em segundo lugar, vem a Lilly com 12,9 milhões de dólares. A terceira é a Bristol-Meyers Squibb, com 11,3 milhões de dólares. A patente do Lipitor®, medicamento para colesterol mais vendido no mundo, termina em Novembro. Só o Lipitor® representa receita de 12,9 milhões de dólares para a Pfizer, avança a Globo.

Segundo um estudo da Universidade de Tufts, as dez empresas mais afectadas devem perder 114 milhões de dólares em patentes neste mesmo período.

Com a perda bilionária, a Pfizer diz que a saída é acelerar o desenvolvimento de novas drogas. Isso geraria uma compensação, segundo Belén Carrilo-Rivas, diretora de pesquisa, projectos e estratégia da empresa.

“Queremos focar-nos nas necessidades médicas que hoje não são supridas. Os pacientes estão à espera. Não é fazer um remédio que vai vender muito, mas sim atender a necessidade do paciente” afirma Belén.

Entre os alvos da Pfizer estão as áreas de vacinas, cardiovascular, oncologia, doenças inflamatórias (como artrite reumatóide), doenças genéticas e neurologia.

Segundo o vice-presidente dos centros para inovação terapêutica da Pfizer, Anthony J. Coyle, a empresa firmou parcerias com universidades como Mountsinai School of Medicine, Columbia University, Rockefeller University, Boston University e Harvard Medical School.

“Somamos peritos desses lugares e colocamos os melhores cientistas em colaboração com os centros academicos. Iremos fornecer acesso ilimitado para todo os processo de descoberta de novas drogas. As pessoas dessas universidades poderão entrar no nosso departamento, vamos desenvolver juntos e sermos proprietários juntos da nova descoberta”, diz Coyle.

A maioria desses académicos já acumula 15 anos de experiência em pesquisas e têm trabalhos publicados. O responsável diz ainda que há cinco anos isso seria impossível de ser concretizado. “A Pfizer jamais abriria os seus prédios a uma universidade. E os académicos não iriam querer trabalhar junto à farmacêutica”, afirma.

Além do fim de muitas patentes, o cenário para a Indústria Farmacêutica não é o melhor na última década, na avaliação de especialistas do Centro de Estudos de Desenvolvimento de Drogas da Tufts University, localizado em Boston, nos EUA.

“A falta de confiança dos investidores está evidente, o mercado está mais competitivo e as normas regulamentares estão cada vez mais rígidas. E persiste o problema do tempo e do risco para o desenvolvimento de novos medicamentos. E o custo para trazer um novo produto é cada vez mais alto”, avalia Kenneth Kaitin, diretor e investigador da Tufts.

Enquanto a Pfizer firma parcerias com universidades, outras farmacêuticas unem-se no desenvolvimento de novas drogas, como a Merck, a Astrazeneca e a Glaxo SmithKline e a Lilly. O objectivo é reduzir custos e agilizar o processo de criação de novos medicamentos.