terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Hypermarcas investe para ser líder


O grupo Hypermarcas quer transformar a Neo Química, uma das maiores empresas farmacêuticas do país, instalada em Anápolis, na maior fábrica de medicamentos da América Latina nos próximos meses. A estimativa é atingir a produção de 8,5 bilhões de comprimidos por ano a partir de 2012.


Ao adquirir a companhia em dezembro de 2009 por R$ 1,3 bilhão, a Hypermarcas decidiu unificar seus laboratórios DMe Farmasa , que estavam instaladas em imóveis alugados, no mesmo complexo industrial de Anápolis e também ampliar o centro de distribuição de medicamentos, que está na mesma área. Os investimentos somam R$ 100 milhões, com conclusão prevista até o fim do primeiro semestre, considerando a rapidez do ritmo das obras nas instalações do Daia (Distrito Agroindustrial de Anápolis).

Parte dos investimentos da companhia, fundada em 2002, está concentrada em Goiás. Seu fundador, o goiano João Alves de Queiroz Filho, ex-dono da Arisco, focou grandes aquisições no Estado, que incluem negócios nos setores alimentícios e de higiene e limpeza, e mais recentemente operações na área farmacêutica.

A rapidez com que a Hypermarcas decide seus negócios no segmento farmacêutico - nos últimos doze meses, fechados em dezembro, adquiriu a Neo Química, a Luper, três medicamentos de marca da Medley(controlada pela francesa Sanofi-Aventis) e mais recentemente a Mantecorp- mostra que o apetite da companhia continua aguçado e que novos movimentos rumo à consolidação estão no radar do grupo.

"Queremos ter presença marcante nos quatro principais segmentos farmacêuticos", disse Claudio Bergamo, CEO da Hypermarcas ao Valor. Essas áreas incluem produtos de prescrição médica, genéricos, OTC (over the counter, em inglês, ou atrás do balcão) e similares.

A companhia busca a liderança em medicamentos e ninguém duvida que a empresa não medirá esforços para alcançar seus objetivos. Com a aquisição da Mantecorp, a Hypermarcas adiciona às suas mais de 160 marcas (que incluem todos os segmentos, não somente o farmacêutico) uma lista de medicamentos tradicionais, como o antigripal Coristina, os antialérgicos Polaramine e Celestamine, o antipirético e analgésico Alivium, a linha de proteção solar Episol e de hidratantes Epidrat.

Para não ficar atrás de sua concorrente, a Teuto, controlada pela Pfizer, também está ampliando a linha de produção de Anápolis. Os investimentos incluem compras de linhas novas de equipamentos e embalagens e uma nova área para medicamentos injetáveis, que somam aportes de cerca de R$ 30 milhões.

"Temos dois prédios vazios aqui em nosso complexo que poderão crescer para a produção de hormônios", disse Marcelo Leite, CEO da companhia. A Pfizer adquiriu por R$ 400 milhoes 40% de participação na Teuto e tem a opção de obter o controle a partir de 2014. A empresa já está se preparando para lançar produtos desenvolvidos pela Pfizer, segundo Leite. Com esses recentes investimentos, a companhia aumentará em 60% sua capacidade de produção. A entrada da múlti americana como principal acionista permitirá à farmacêutica avançar na área hospitalar, sobretudo no setor privado. (MS)