terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Biolab resiste a assédio e investirá em novos medicamentos em 2011


Em um ano marcado por movimento de consolidação, no qual farmacêuticas estrangeiras e nacionais disputaram palmo a palmo laboratórios interessados em se desfazer de seu controle, a brasileira Biolabescapou ilesa e garante que não pretende mudar de mãos. Pelo menos é o que afirma Cleiton de Castro Marques, presidente da companhia. Sem vocação para genéricos - segmento de medicamentos que virou o "queridinho" entre as multinacionais e grandes grupos nacionais - a farmacêutica brasileira está apostando em pesquisas próprias para expandir seu portfólio no país.

Aos 53 anos, Cleiton de Castro Marques, formado em economia, ainda não tem planos para se aposentar, mas diz que a família, controladora da companhia, já prepara seus sucessores. "Temos um programa de sucessão para o longo prazo", afirma o empresário.

A meta para 2011 é crescer organicamente, seja por meio de parcerias para o desenvolvimento de novos medicamentos ou com pesquisas próprias para consolidar os produtos da Biolab no mercado. Segundo Marques, a farmacêutica quer expandir seus negócios por meio de lançamentos de produtos. Em 2011 serão 12 - dois sob licença e 10 deles frutos de desenvolvimento próprio. A primeira molécula da companhia - um antimicótico com atuação antibacteriana - deverá ser apresentada em 2012. "Temos 32 moléculas em pesquisa", diz.

Com faturamento estimado em R$ 615 milhões ao longo de 2010, a perspectiva é de que a receita alcance R$ 700 milhões no próximo ano, um crescimento projetado de 15%. A empresa, com duas fábricas na Grande São Paulo - Taboão da Serra e Jandira -, além de um centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em Itapecerica da Serra (SP), tem resistido ao constante assédio de grandes companhias, incluindo multinacionais, interessadas em ampliar ou mesmo fazer sua estreia no mercado brasileiro.

O foco da farmacêutica são medicamentos sob prescrição médica nas especialidades de cardiologia, que responde por 60% do total, ginecologia e dermatologia, sobretudo. A empresa está fazendo também suas apostas em dermocosméticos e nos segmentos de ortopedia e reumatologia, com medicamentos anti-inflamatórios.

"Nosso foco é em inovação. Não temos interesse em disputar o mercado de genéricos", diz Marques. A companhia investe cerca de 7% de seu faturamento anual em P&D. Neste ano, a companhia formou uma joint venture com a alemã Merzpara atuar na área estética no Brasil. O principal produto desenvolvido pelas duas empresas será o Xeonim, toxina botulínica, para concorrer com o Botox, da americana Allergane o Dysport, da francesa Ipsen. Outras parcerias com empresas estrangeiras foram firmadas nos últimos anos para o desenvolvimento e comercialização de medicamentos.

A Biolab foi fundada há 13 anos. Mas a família Castro Marques atua desde os anos 70 na área farmacêutica, por meio da União Química (ex-laboratório Prata), administrada pelo pai do empresário. A gestão da Biolab tornou-se única em 2008. Até então, a empresa tinha uma administração compartilhada com a União Química, hoje comandada pelo irmão de Cleiton, Fernando de Castro Marques. A gestão das duas companhias era feita pelos irmãos Cleiton, Paulo e Fernando, mas após um período de turbulência familiar, as empresas, que dividiam a mesma sede na capital paulista, foram separadas. Atualmente a Biolab ocupa um prédio na Vila Olímpia, em São Paulo, sob o comando de Cleiton e Paulo, e Fernando está à frente da União Química. Os três mantêm participações societárias cruzadas nas companhias.

Segundo Marques, a empresa tem projeto de ir para bolsa, mas não há nenhum planejamento nesse sentido no curto ou médio prazo. Ele acredita que o movimento de consolidação no setor será intenso. "Mas nós temos interesse em estar no negócio."