sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Após comprar 40% do Lab. Teuto, Pfizer contra-ataca e vai produzir genéricos de seus concorrentes


Depois de ter a patente de dois importantes medicamentos expirada no Brasil - Lipitor e Viagra - um prato cheio para seus concorrentes, a multinacional Pfizer decidiu contra-atacar. A farmacêutica vai começar a produzir genéricos de seus próprios produtos e de outros laboratórios, como forma de compensar o buraco aberto com a perda de receita de dois importantes "blockbusters" (campeões de venda).

Quase um ano depois de deixar escapar a Neo Química, de Goiás, para a Hypermarcas, a Pfizer anunciou a compra de 40% do laboratório goiano Teuto, após oito meses de negociações. A aquisição reforça a estratégia da companhia em avançar em genéricos no país, mesmo caminho trilhado por outras multinacionais, como a francesa Sanofi-Aventis, que adquiriu a Medley. O valor do negócio foi de R$ 400 milhões. Em 2011, poderá ser feito um novo aporte, de acordo com o desempenho da Teuto. A partir de janeiro de 2014, a americana terá a opção, de nos próximos três anos, de adquirir os 60% restantes da companhia.

"O segmento de genéricos teve um rápido crescimento no Brasil. A estratégia da Pfizer é de complementar o portfólio em países emergentes", afirmou Victor Mezei, principal executivo no Brasil.

Em 2013, a companhia terá patente de seu anti-inflamatório Celebra expirada, o que limitará sua atuação com medicamentos inovadores. Segundo Mezei, a Pfizer pretende produzir princípios ativos de seus próprios medicamentos que perderam a patente e também de seus concorrentes, que julgar conveniente.

Com faturamento de R$ 300 milhões em 2009 e endividamento em torno de R$ 70 milhões, a Teuto deverá ser o braço de genéricos da companhia americana no Brasil. A Pfizer já atua timidamente nesse segmento nos EUA, com a aquisição do laboratório Greenstone. Neste ano, a Pfizer também fechou acordo com a farmacêutica nacional Eurofarma para produzir o atorvastatina (princípio ativo do Lipitor). Segundo Marcelo Leite Henriques, presidente da Teuto, a empresa é especializada em genéricos e OTCs (over the counter, em inglês, os chamados produtos vendidos fora do balcão).

Nos próximos dias, a Pfizer deverá anunciar o nome dos diretores financeiro e médico, que deverão ingressar na Teuto - cargos que serão criados pelo laboratório nacional. "As gestões das duas companhias serão independentes", disse Leite.

A estratégia da múlti é avançar em países emergentes. Na terça-feira, a americana fechou aliança com a farmacêutica indiana Biocon para a comercialização de insulinas. Na semana passada, a empresa fechou a compra do laboratório americano King Pharmaceuticals para intensificar atuação no segmento de analgésicos. Há um ano, a Pfizer incorporou a Wyeth, em um negócio de US$ 68 bilhões.

"Nossa meta é nos tornarmos a a maior companhia farmacêutica do Brasil [atualmente é a terceira]", disse Mezei. No ano passado, a empresa registrou faturamento de R$ 3,3 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões na divisão fármaca. Este ano a expectativa é de que a farmacêutica tenha um crescimento de 10%.

Valor Econômico