quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Roche compra remédio contra hepatite C - Danoprevir



O grupo farmacêutico suíço Roche pagou 175 milhões de dólares à empresa americana InterMune pelos direitos sobre o medicamento Danoprevir, usado no tratamento da hepatite C, anunciou o laboratório.

A Roche, que desenvolveu em conjunto com a InterMune a partir de 2006 este inibidor de protease de segunda geração, comprou o conjunto dos direitos mundiais relacionados ao desenvolvimento e comercialização do medicamento.

"Com mais de 180 milhões de pessoas que sofrem de hepatite C no mundo, a necessidade de dispor dos melhores tratamentos nunca foi tão urgente", afirmou Dan Zabrowski, diretor da Roche.


Fonte: Exame

Hypermarcas terá aporte de até R$ 1,1 bi do BNDES


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se comprometeu em contrato a subscrever até a totalidade da emissão de debêntures no valor de R$ 1,099 bilhão aprovada pelo conselho de administração da Hypermarcas. A operação vai capitalizar a empresa para o pagamento da compra do laboratório Neo Química, em dezembro de 2009, e manter seu apetite de aquisições.

Desde o ano passado o BNDES negociava uma forma de capitalizar a Hypermarcas por meio da sua subsidiária de participações, a BNDESPar, como forma de sustentar o avanço da empresa no setor farmacêutico, considerado estratégico pela política industrial do governo. Em fato relevante, a Hypermarcas informou que a emissão privada será de 1.097.450 debêntures simples. A compra da Neo Química custou à Hypermarcas R$ 686,7 milhões e uma troca de ações que elevou o negócio a R$ 1,4 bilhão. Com a capitalização da BNDESPar, a empresa melhora seu perfil de endividamento e recupera musculatura financeira para novos negócios.

Preocupado com as aquisições de farmacêuticas brasileiras por multinacionais, especialmente no segmento de genéricos, o BNDES mudou sua política de incentivo ao setor este ano. O banco tenta se tornar sócio das empresas, a maioria de médio porte e administração familiar, para estimular a abertura de capital e a consolidação. O objetivo é ter empresas de capital nacional mais robustas, resistentes ao assédio das múltis, com capacidade de investir no desenvolvimento de medicamentos e de disputar mercado no exterior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Selo de segurança para medicamentos gera atrito entre Anvisa e indústrias

Para tentar coibir a falsificação de medicamentos a partir de janeiro de 2011 as caixas de remédios começarão a ser etiquetadas com um selo de segurança. O anúncio foi feito ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o que gerou forte reação da indústria farmacêutica. Em nota cinco entidades do setor disseram que a medida é equivocada e deverá aumentar em 2,58% o preço médio dos medicamentos para o consumidor. E alertam que a alta poderá ser maior para produtos populares.

“No caso dos medicamentos genéricos, o aumento no custo de produção pode variar de 6,3% a 23,1%”, afirma a nota, que vai de encontro à declaração do presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, de que não serão permitidos aumentos nos preços por causa dos selos.

- O governo não autorizará aumento de preço de medicamento. Isso será absorvido pela cadeia produtiva. O impacto é irrisório, em torno de 0,01% em produtos acima de R$ 5 – afirmou Raposo.

A indústria e as farmácias terão um ano para se adaptar às medidas e até 15 de janeiro de 2012 todo medicamento deverá ter o selo de segurança. A autenticidade do produto será comprovada ao aproximar a etiqueta de segurança do visor de um leitor ótico. O selo faz parte da política de rastreabilidade dos medicamentos aprovada em janeiro de 2009. Ela prevê um prazo de três anos para a implantação do sistema. O objetivo da medida é impedir a venda de medicamentos falsificados, roubados, sem registro ou contrabandeados.

Para empresas há risco de monopólio

Segundo a Anvisa, entre janeiro e setembro de 2010, foram apreendidos 53,575 milhões de medicamentos falsificados e contrabandeados, o mesmo que em todo o ano de 2009. Para Raposo, o comércio de medicamentos falsificados migrou das feiras livres para as farmácias.

Os selos, autoadesivos, serão aplicados diretamente nas caixas dos medicamentos e terão um marcador único reconhecido apenas por leitor ótico. Cada selo terá ainda uma numeração individual, chamada de Identificador Único de Medicamento (IUM), e também fará parte das notas fiscais eletrônicas. A indústria pediu que a medida seja revogada pois considera essa tecnologia ultrapassada. Para o setor, o sistema mais moderno é o bidimensional, que já está em testes. A nota questiona ainda o fato de haver só um único fornecedor do selo no país, o que significa monopólio.

Jornalista: Gustavo Paul
O Globo

Moksha8 vai comercializar drogas da norte-americana Watson no Brasil


A americana Moksha8, especializada na comercialização e promoção de medicamentos e genéricos de marca, acaba de fechar um acordo para levar aos mercados brasileiro e mexicano - os dois únicos onde atua - medicamentos do laboratório americano Watson Pharmaceuticals. Segundo Simba Gill, presidente da Moksha8, cerca de uma dúzia de marcas já foram submetidas a aprovações das autoridades de saúde do México e do Brasil, e serão lançadas ao longo deste e do próximo ano.

Até 2013, porém, a meta é mais ambiciosa. O executivo afirma que, dos aproximadamente 150 medicamentos do portfolio da Watson, a Moksha8 planeja lançar nos dois mercados latinoamericanos entre 100 e 150 itens. Hoje, a Moksha8 comercializa 21 produtos de marca de terceiros na América Latina, com os quais fatura cerca de US$ 200 milhões ao ano. A lista inclui drogas famosas, como Valium e Lexotan, da Roche. Com a ampliação do portfolio, o objetivo é dobrar o volume de vendas no prazo de cinco anos.

Os nomes dos primeiros medicamentos da Watson que serão lançados nos Brasil e no México não foram divulgados. Porém, Gill adianta que eles deverão reforçar a posição da companhia
no segmento de tratamento de doenças do sistema nervoso central, como depressão, ansiedade e esquizofrenia. Segundo o executivo, além do acordo com a Watson, estão em negociação outras parcerias com laboratórios estrangeiros.


NOVO SÓCIO

As negociações com o laboratório americano Watson envolveram a venda de participação minoritária na Moksha8. Com um aporte inicial de cerca de US$30 milhões, a Watson tornou-se acionista minoritária da empresa. E, pelo acordo, deverá aportar mais US$ 20 milhões, assim que a Moksha 8 cumprir a cláusula que condiciona a ampliação da participação à compra de novas drogas, de outras empresas, ao longo do próximo ano.

Paralelamente, outros dois sócios da empresa, TPG Biotechnology e Montreux Equity Partners, reforçaram o capital da Moksha8 com outros US$ 31 milhões - a Moksha tem também pequena participação do grupo Votorantim em seu capital. O controle, porém, continua nas mãos do fundo americano Texas Pacific Group (TPG), dono de uma carteira de investimentos de US$ 40 bilhões. O dinheiro que entra agora será usado na compra de licenças de novas drogas e no reforço da estrutura de vendas e marketing da companhia no Brasil e no México.

De acordo com Gill, os planos são para ampliar a cobertura geográfica da Moksha8 em grandes centros urbanos de regiões como o Nordeste, onde a economia vem se mostrando muito forte. Mas mantendo o foco em um grupo seleto de profissionais da área médica.

Pelo menos por ora, o executivo afirma que uma fábrica no Brasil não está nos planos da companhia. Porém, no médio e longo prazos há esta possibilidade. Atualmente, a companhia está no segundo estágio de sua estratégia de expansão. Começou assumindo a comercialização de medicamentos de marca de grandes laboratórios farmacêuticos no Brasil e no México, e ganhando de acordo com o desempenho das vendas. Agora, inicia a busca e a importação de
medicamentos que só existiam no mercado externo.

A próxima etapa, se seguido o cronograma original, será a produção de medicamentos de base biológica. Mario Grieco, presidente da subsidiária brasileira, relata que já está em fase final de pesquisa clínica o primeiro medicamento biológico para tratamento de artrite reumatóide, que deverá chegar ao mercado em 2011.



Fonte: Brasil Econômico

Farmácias receberão leitor óptico para selo de segurança de medicamentos


A partir de janeiro de 2012, quem comprar um medicamento nas farmácias brasileiras poderá conferir, no próprio estabelecimento, se o medicamento é verdadeiro.

Cada caixa de medicamento conterá um selo de segurança fornecido pela Casa da Moeda que será reconhecido por leitores óticos em todas as farmácias e drogarias do país. A autenticidade do produto será indicada quando o consumidor aproximar a etiqueta de segurança ao visor do terminal ótico.

O objetivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é minimizar os riscos causados pela existência de medicamentos falsificados, roubados, sem registro ou contrabandeados, no mercado nacional.

“É uma medida que vai garantir ao consumidor um mecanismo seguro de saber na própria farmácia se o medicamento é verdadeiro. Além disso, a falsificação desta etiqueta hoje é praticamente impossível”, afirmou o diretor presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello.


ETIQUETAS DE SEGURANÇA







O modelo de etiqueta desenvolvido é simples e de fácil reconhecimento pelo usuário final. Os selos, autoadesivos, serão aplicados diretamente nas embalagens secundárias (caixa) dos medicamentos e terão um marcador especial, único e exclusivo, reconhecido apenas pelo Leitor Específico de Autenticação.

Cada etiqueta terá, ainda, uma numeração individual não repetitiva (Identificador Único de Medicamento - IUM), que será a ferramenta de base para o sistema eletrônico de rastreabilidade. Não serão produzidas etiquetas diferenciadas por estado ou fabricante de medicamento. Todas as etiquetas autoadesivas, em todo o país, terão o mesmo formato e características físicas.


Principais características das etiquetas

- padrão único, no tamanho de 19 x 25 milímetros;
- existência de fibras e microesferas coloridas, visíveis sobre luz ultravioleta;
- micro cortes para proteção contra tentativas de violação;
- existência de número serial, de 13 dígitos. Os dois primeiros dígitos representam os dois últimos algarismos do ano em que a etiqueta foi impressa, e os 11 números seguintes representam uma sequência numérica, dentro do ano em que a etiqueta for impressa. Não existirão etiquetas com números repetidos;
- código bidimensional Datamatrix impresso, que corresponderá ao respectivo número de série da etiqueta;
- marcador invisível de autenticação. Este marcador permitirá o reconhecimento da etiqueta pelos leitores que serão disponibilizados às farmácias e drogarias. Esses leitores serão específicos para essa finalidade e somente eles poderão fazer a leitura dos marcadores das etiquetas.
- etiqueta impermeável, não ocorrendo a penetração de óleo ou produtos químicos;
- etiqueta resistente à água e à umidade. Possui resistência à exposição prolongada ao sol, não apresentando alterações em sua coloração.
- a etiqueta não apresentará, com o tempo, deformação em seu formato;



LEITOR ESPECÍFICO DE AUTENTICAÇÃO


Para a leitura das etiquetas, a Anvisa solicitou à Casa do Moeda a produção de leitores óticos, desenvolvidos especialmente para reconhecer o marcador invisível de autenticação inserido no selo, conforme foto acima. O equipamento funcionará por meio do contato da etiqueta com o visor e, automaticamente, fará a leitura e o reconhecimento da autenticidade do elemento de segurança da etiqueta. Luz verde e sinal sonoro do equipamento indicam que o medicamento é verdadeiro.

Todos os leitores fixos possuirão números individuais e lacres de inviolabilidade de fácil identificação visual para o consumidor e para os agentes de fiscalização. Qualquer tentativa de violação dos lacres ficará evidente: além da impressão do número serial, os lacres possuirão impressões de segurança.

A tecnologia utilizada na fabricação dos leitores específicos de autenticação da Casa da Moeda do Brasil é robusta e segura. Os testes de confiabilidade de leitura indicam 100% de confiabilidade.

Cada farmácia terá um equipamento de leitura instalado em área de fácil acesso para uso livre e gratuito dos consumidores de medicamentos. A Casa da Moeda do Brasil efetuará a entrega dos leitores para todas as farmácias regularizadas na Anvisa, sem nenhum ônus para o estabelecimento. Leitores portáteis também serão entregues à Agência para serem utilizados nas ações de fiscalização.


MERCADO

O valor do selo será de R$ 0,07, sem a incidência de impostos. Como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é variável nos diversos Estados da Federação, os preços das etiquetas terão variação conforme o Estado.

Verifica-se que, sobre o mercado total, o impacto do valor do selo é de 0,05% (média). Sobre o mercado de produtos de até R$ 5,00, o impacto do selo é de 2,58% (média).

“O custo do selo no custo total de produção do medicamento é muito baixo, logo o governo não vai aceitar nenhum tipo de aumento de preço dos medicamentos por conta da instituição do selo”, informou o diretor Dirceu Raposo de Mello.


RASTREABILIDADE

Em 2010, a Anvisa iniciou interlocução com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), por meio de representantes da Receita Federal do Brasil e das Secretarias Estaduais de Fazenda, para inclusão do número Identificador Único de Medicamento (IUM) como dado das Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) do setor farmacêutico.

A NF-e será usada como meio transmissor dos números IUM, desde os fabricantes até os distribuidores varejistas de medicamentos. A associação do IUM às demais informações fiscais constitui-se um dos principais pilares do Sistema Nacional de Controle de Medicamento. Por meio da NF-e, será possível recuperar informações históricas e geográficas sobre o caminho percorrido pelos medicamentos, desde sua produção até a entrega ao consumidor.

O teste-piloto virtual para o uso da NF-e está em fase de finalização. A partir de 1º de janeiro de 2011, já estará disponível na NF-e o campo destinado ao IUM para preenchimento pelas empresas farmacêuticas em todas as transações comerciais envolvendo medicamentos.


HISTÓRICO

Para aprimorar continuamente os mecanismos de rastreabilidade e autenticidade de medicamentos no país e dar uma resposta efetiva à informalidade, foi criado o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos, por meio da lei 11903/09. A lei prevê que o Sistema será implantado gradualmente em até três anos.
Nesta quarta-feira (6/10), a Anvisa assina nova instrução normativa que define os prazos para a implantação do sistema de rastreamento de medicamentos. A norma será publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (7/10).

Só em 2010, a Agência apreendeu 53.575 mil unidades de medicamentos falsificados e contrabandeados e 62,9 toneladas de medicamentos sem registro. “Hoje nós estamos articulados com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias civis e as vigilâncias sanitárias dos estados e municípios para combater a fraude”, informou Raposo de Mello.


Fonte: Anvisa

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Adolescentes usam mais preservativos que adultos acima de 40 anos nos EUA


Adolescentes americanos não são tão irresponsáveis como se pensa quando o assunto é sexo. Segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 4, no Journal of Sexual Medicine, os jovens são muito mais propensos a usar preservativos do que adultos com mais de 40 anos.



Os resultados do levantamento feito pela internet com 5.865 pessoas entre 14 e 94 anos poderá ajudar a orientar a política de saúde pública nos Estados Unidos. Segundo o Dr. Kevin Fenton, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o documento ajudará a Casa Branca a lançar uma nova política para aids.


Conduzido por especialistas em sexo da Universidade de Indiana e financiado pelo fabricante de camisinhas Trojan Church & Dwight Co., o estudo é a análise mais abrangente em comportamento sexual feita no país nos últimos 20 anos.


Segundo o levantamento, uma em cada quatro relações de sexo vaginal envolve o uso de preservativo. Entre os solteiros, esse número é de uma em três. O uso do preservativo é maior entre os negros e hispânicos que entre os brancos, e é menor entre pessoas com mais de 40 anos.


Apenas 14% dos adolescentes de 14 anos relataram algum tipo de interação sexual nos três meses anteriores, mas quase 40% dos rapazes de 17 anos tiveram essa experiência, revela o pesquisador Dr. Dennis Fortenberry. Segundo ele, os resultados foram semelhantes entre o sexo feminino.


Fortenberry disse que muitos adolescentes atingem os 18 anos sem experiência sexual e, para aqueles que têm relações, o uso de preservativos é rotineiro. "Nesse trabalho, cerca de 70% a 80% dos adolescentes afirmaram ter usado preservativo na última relação vaginal", conta Fortenberry. "Isso indica que nós tivemos um sucesso real na saúde pública, que precisa ser reconhecido", completa.


A equipe também constatou que, nos últimos 20 anos, a maioria dos adultos mudou a noção tradicional de sexo como "coito vaginal". Participantes da pesquisa relataram envolvimento em 41 diferentes práticas sexuais, incluindo sexo oral e anal.


"Enquanto o coito vaginal ainda é o comportamento sexual mais comum entre os adultos, muitos eventos sexuais não envolvem penetração", destaca a pesquisadora da Universidade de Indiana Debra Herbenick, especialista em saúde sexual das mulheres.


Outras descobertas


* Cerca de 85% dos homens revelaram que sua parceira chegou ao orgasmo durante o sexo, mas apenas 64% das mulheres admitiram isso;


* Cerca de 7% das mulheres e 8% dos homens entrevistados disseram que são gays, lésbicas ou bissexuais, mas, segundo os pesquisadores, o número de pessoas que tiveram relações sexuais com parceiros do mesmo sexo é maior;


* Um terço das mulheres afirmou que sentiu dor durante o encontro sexual mais recente, em comparação com 5% dos homens. Para Herbenick, mais pesquisas são necessárias para entender o porquê;


* Os homens são mais propensos a experimentar o orgasmo quando o sexo inclui coito vaginal, enquanto as mulheres são mais propensas ao clímax quando a relação envolve uma variedade de atos sexuais (vaginal e oral, por exemplo);


Fonte: estadão

Merck Millipore abre nova frente de negócios com centro tecnológico


Em plena crise econômica, no início de 2009, o grupo americano Millipore resolveu investir na montagem de um centro tecnológico no Brasil para ampliar a atuação da sua subsidiária no país. Fabricante de sistema de filtragem e de tratamento de água há mais de 50 anos e há 35 no país, o grupo decidiu transformar em negócio a área de serviços, que até então atuava mais como uma assistência técnica aos clientes. Comprada pela alemã Merck em março, o plano não sofreu alterações, os investimentos foram mantidos e os laboratórios do centro já estão operando.

O alvo principal da Merck Millipore, como passou a ser chamada a nova divisão do grupo alemão, é atender as farmacêuticas, que precisam atingir graus de precisão em seus processos de produção cada vez mais rígidos. O gerente regional para América Latina da divisão, João Luiz Builtron, conta que as novas exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) obrigam os fabricantes de remédios a validarem não só o produto, mas todo o processo de esterilização por filtração. "Inclusive os equipamentos e a matéria-prima dos produtos. É ai que entramos oferecendo teste em nossos laboratórios que ajudam o cliente nessa certificação", diz Builtron.
A empresa já oferecia alguns desses serviços, mas tudo era feito na matriz, nos Estados Unidos. Agora o centro instalado em Alphaville (SP) vai atender toda a América Latina, com exceção do México. O que torna os serviços mais baratos e mais rápidos, e com o padrão de exigência do FDA (agência de fiscalização de remédios e alimentos dos Estados Unidos). É o quinto centro da companhia no mundo. Além da matriz, foram montados laboratórios desse nível na França, Índia e Cingapura.

O centro brasileiro tem capacidade para uma planta piloto de até 200 litros, permitindo reproduzir em laboratório a produção do cliente. A estrutura no Brasil inclui um auditório para palestras e treinamento de profissionais dos clientes e técnicos da própria Anvisa.
Ainda como Millipore, a empresa faturou US$ 40 milhões em 2009 no mercado brasileiro, sendo entre US$ 2 milhões e US$ 2,5 milhões vindos da assistência técnica. As exportações geram mais US$ 3 milhões, principalmente para os países do Mercosul, além de Colômbia e Venezuela. Em termos globais, a Millipore faturou US$ 2,9 bilhões no ano passado, com operações em 64 países e cerca de 10 mil funcionários.

O principal produto da empresa são os filtros usados para garantir a qualidade da produção, desde remédio a cerveja, por exemplo. Foi a origem da companhia. Mas a empresa também tem uma divisão de equipamentos, que desenvolveu um sistema para tratamento de água.
Builtron acredita que, em cinco anos, o centro tecnológico vai responder por 10% a 15% do faturamento no Brasil. Nos últimos seis anos, a receita da empresa cresceu, em média, 12% ao ano no país. E mesmo em 2009, apesar do primeiro semestre fraco, a empresa conseguiu crescer.

"Nosso desempenho depende muito da indústria farmacêutica e a projeção do setor para o Brasil é de crescimento de 12% a 15% ao ano. Então estamos confiantes", diz Builtron. A Merck Millipore tem uma equipe de vendas de 20 profissionais, todos são biólogos ou farmacêuticos. No total, são 105 funcionários no Brasil.
Há três anos a empresa comprou a Serologicals e entrou no segmento de anticorpos. Além dos laboratórios farmacêutico e de pesquisa, como os estatais Butantã e o Fiocruz, os produtos da Merck Millipore atendem os setores de bebidas, alimentos, têxtil e até aço.


Fonte: Valor Econômico